Fazenda de soja investe em tratamento e biodiversidade de solo

February 24, 2019

 

Investir em mix de culturas na rotação e no tratamento in loco das sementes. Essa é a receita da fazenda Cerrado de Cima, de Taquariúva (SP), para aumentar a produtividade e a rentabilidade do seu negócio, mesmo em anos como este em que muitos produtores de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás registram perda de produtividade em suas lavouras de soja devido à falta de chuvas e ao forte calor registrado na época do plantio.

 

A Cerrado produz 70 mil sacas de 60 kg de sementes de soja de 14 cultivares diferentes e mais 53 mil sacos de semente de milho na região sul do Estado de São Paulo. Conseguiu manter sua produção estável ao iniciar o plantio de soja com atraso de 30 dias para combater os efeitos dos atípicos 25 dias consecutivos sem chuva.

 

A fazenda de 5 mil hectares foi uma das visitadas nesta semana pela equipe número 6 do 16º Rally da Safra, que desde janeiro percorre as áreas de produção de grãos no país para avaliar produtividade e condições das lavouras precoces, médias e tardias.

 

 

 O administrador da Cerrado, Manoel David Latapiat Herrera. (Foto: Eduardo Monteiro)

 

 

“O sucesso da atividade está no planejamento, na contratação de uma boa consultoria agronômica e na formação da equipe. E quanto mais você investe, mais tem retorno econômico”, diz o administrador da Cerrado, Manoel David Latapiat Herrera, um chileno sem sotaque que chegou ao Brasil com 8 anos.

 

Nesta safra, a Cerrado de Cima estreia o TSI (Tratamento de Sementes Industrial), equipamento que demandou um investimento de R$ 800 mil, para tratar na própria fazenda toda a produção de sementes. O tratamento in loco vai eliminar a terceirização, gerar economia em frete e dar ao comprador a opção de escolher o tipo de produto que prefere para o tratamento de suas sementes. O investimento deve se pagar em dois ou três anos, estima o administrador.

 

Outro “pulo do gato” da Cerrado, segundo Herrera, será o investimento na biodiversidade do solo. O plano é plantar um mix de culturas em 20% da área de rotação em vez de escolher apenas aveia, trigo ou cevada. Os talhões escolhidos não vão receber adubação, apenas tratamento biológico.

 

“Vamos dar um passo atrás para dar dois à frente. Sabemos que nossa produtividade de soja vai cair no primeiro ano, com queda de receita, mas a partir do segundo ano já devemos ter um solo melhor e um consequente aumento de produtividade”, diz.

 

A Cerrado tem uma produtividade média de 65 sacas por hectare. A soja ocupa 2.500 hectares, sendo 1.850 irrigados por 28 pivôs. A empresa abastece revendas de São Paulo, especialmente das regiões de São José do Rio Preto e Presidente Prudente, que recebem 80% da produção. Estão no portfólio da fazenda também a produção de trigo, aveia e cevada no inverno.

 

A unidade de beneficiamento de sementes tem capacidade para 52 mil sacas. São 8 silos de inox e 12 de madeira, que permitem estocar as sementes sem perda de qualidade por até 3 meses.

 

Fabio Meneghin, analista de mercado da Agroconsult, realizadora do rally, estima que a produção de soja em São Paulo que está sendo colhida agora terá uma quebra média de 12% na comparação com a safra 2017/18 devido à seca. Na região que inclui Taquariúva, Capão Bonito e Itapeva, as quedas devem ser menores devido ao uso de pivôs de irrigação.

 

No país, a estimativa da consultoria é de uma produção de 16,5 milhões de sacas, 2,3% menor em relação à safra anterior, que foi recorde, embora a área de plantio tenha aumentado 3,1%. As maiores perdas são da soja precoce, plantada em setembro.

 

Fonte: Revista Globo Rural

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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