Milho pode ser tolerante a alumínio

Se a descoberta for confirmada, permitirá avanços no desenvolvimento de novas cultivares

Uma descoberta de cientistas da Embrapa em parceria com universidades e institutos de pesquisa do Quênia (África) como a Universidade de Moi (MU), pode revolucionar o cultivo de milho. Foram identificados genes que controlam a tolerância da cultura ao alumínio. Até hoje somente um gene, o ZmMATE1, havia sido identificado.

O alumínio é responsável por reduzir a produtividade e aumentar os gastos com correção do solo. A descoberta tem potencial para o desenvolvimento de novas cultivares, conferindo à planta maior resistência aos efeitos tóxicos do alumínio e, diminuindo os custos, pode incluir os pequenos e médios produtores. Em solos ácidos que representam metade do total de solo global como o Cerrado, por exemplo, o alumínio pode impactar muito a produtividade.

A toxicidade do alumínio prejudica a exploração do solo pelas raízes, reduzindo a captação de água e de nutrientes e, consequentemente, a produção de grãos. No Brasil, em torno de 70% da produção de milho ocorre na segunda safra, ou safrinha, cuja produtividade é altamente dependente do regime de chuvas. “O aumento da tolerância ao alumínio em cultivares de milho é uma estratégia genética que contribui para o aprofundamento do sistema radicular, em áreas com prevalência de saturação de alumínio nas camadas sub-superficiais”, explica a pesquisadora Cláudia Teixeira Guimarães, da Embrapa Milho e Sorgo (MG).

Ela ressalta que ainda serão necessários estudos avançados para a validação desses efeitos e para o desenvolvimento de marcadores específicos para a seleção desses novos genes. “Assim, o uso desses genes ainda está distante dos programas de melhoramento assistido, mas novas possibilidades científicas foram abertas”, comemora.


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