Preço do milho deve seguir ao redor dos R$ 60,00 no Brasil, mas possível alta do dólar pode elevar patamares para até R$ 65,00

August 26, 2020

Analista de mercado da Agrifatto destaca que tendência é de preços estáveis e sustentados com os produtores brasileiros já capitalizados e segurando o cereal. Pontos que merecem atenção e podem modificar o cenário são o dólar, as exportações e a safra dos Estados Unidos.

 Yago Travagini Ferreira - Analista de Mercado da Agrifatto

 

Os preços do milho continuaram subindo no Brasil mesmo com o decorrer da colheita da segunda safra. O indicador Cepea, por exemplo, registrava a saca de milho à R$ 47,76 em junho e fechou a última terça-feira (25) à R$ 60,41, uma alta de mais de 26%, retomando os patamares recordes de março. 

 

Segundo o analista de mercado da Agrifatto Consultoria, Yago Travagini Ferreira, neste momento o produtor de milho está bastante capitalizado após vender um grande volume desta safra antecipadamente e de rentabilizar bem na última safra de soja. Sendo assim, o vendedor “senta em cima” do grão e não se preocupa em comercializar.
Sendo assim, a tendência é de manter a sustentação dos atuais patamares de preços daqui até o final do ano. A Bolsa Brasileira (B3), por exemplo, já apresenta cotações ao redor dos R$ 61,00 para contratos futuros.

 

Entre os fatores que merecem atenção e podem mexer com este cenário o primeiro deles é o dólar. Ferreira comenta que uma eventual alta da moeda americana ante ao real, na casa dos R$ 6,00, por exemplo, pode elevar o preço do milho para até R$ 65,00 a saca. “Querendo ou não, nós temos muita instabilidade nos próximos meses. Teremos eleições nos Estados Unidos e eleições municipais, que são fatores que vão continuar afetando o dólar”, alerta

Os outros pontos seriam as exportações brasileiras e a safra dos Estados Unidos. O analista explica que caso as exportações não cheguem ao patamar esperado entre 33 e 35 milhões de toneladas mais oferta ficará disponível e os preços cairiam.

 

O que pode frear esse avanço das exportações seria a safra norte-americana. Ferreira ressalta que, apesar da diminuição na expectativa de produção do cereal nos Estados Unidos após o último reporte do USDA, a safra ainda será grande e os estoques altos, podendo competir e tirar espaço do cereal brasileiro.

 

Confira a íntegra da entrevista com o analista de mercado da Agrifatto no vídeo.

 

 

 

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