Produtor obtém recorde de produtividade de trigo

October 2, 2020

 

A cultivar de trigo irrigado BRS 264, desenvolvida pela Embrapa para o Cerrado do Brasil Central e atualmente a mais cultivada na região, alcançou uma marca histórica nesta safra. O produtor Paulo Bonato, de Cristalina (GO), colheu 8.544 kg/ha ou 142,4 sc/ha da variedade em uma área de 50,8 hectares sob pivô central de irrigação, estabelecendo o novo recorde brasileiro de produtividade na cultura. O produtor já havia sido recordista nacional com outra cultivar da Empresa, a BRS 254, quando alcançou produtividade média de 139,8 sc/ha sob o mesmo pivô em 2017. Os números representam o triplo da média nacional projetada para este ano, em torno de 48,3 sc/ha.

 

O trigal recordista ocupa metade de uma área de 101,6 hectares irrigados da propriedade de Bonato, sendo que a outra metade também foi plantada com a cultivar da Embrapa, porém utilizando-se outras tecnologias de manejo. Ainda assim, os 50,8 hectares restantes obtiveram elevada produtividade: 133,3 sc/ha. Com isso, a produtividade geral do pivô foi de 137,8 sc/ha. 

 

Bonato planta a BRS 264 e, principalmente, a BRS 254, desde que as cultivares foram lançadas, há 15 anos. “Geralmente, planto uma em cada metade do pivô ou, quando a programação de plantio é em dois pivôs, planto um pivô inteiro com uma variedade”, explica. Neste ano, o trigo sucedeu uma lavoura de soja, e a semeadura da área foi realizada entre 7 e 12 de maio e a colheita entre 8 e 12 de setembro. O produtor utilizou cerca de 75 a 80 plantas por metro linear. 

 

Como o ciclo médio total da lavoura ficou em torno de 114 dias (da emergência das plantas até a colheita), foi obtida uma produtividade diária média de 74,9 kg/ha/dia na porção mais produtiva da lavoura, número significativo em termos mundiais. Isso porque o novo recorde mundial de produtividade em trigo, estabelecido este ano – 17.398 kg/ha ou 289,96 sc/ha em uma propriedade em Ashburton, na Nova Zelândia, com semeadura em abril de 2019 e colheita em 17 de fevereiro de 2020 – representaria produtividade média diária de quase 58 kg/ha/dia, se for considerado um ciclo de 300 dias. “Isso mostra que nosso sistema aqui no Cerrado é mais eficiente”, diz o pesquisador da Embrapa Cerrados (DF), Júlio Albrecht.

 

Capricho na lavoura

 

Responsável técnico da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), Claudio Malinski diz que Bonato sempre colheu bem o trigo na região. “É um produtor padrão”, diz o engenheiro agrônomo. “Ele faz agricultura de precisão, o solo é corrigido e uniforme quanto à textura; toma todos os cuidados com a adubação e calibra bem o pivô quanto à água. Além disso, é cuidadoso quanto ao aspecto fitossanitário, preferindo ter o custo de produção um pouco maior e garantir mais segurança na colheita em vez de economizar com defensivos”, comenta.

 

Júlio Albrecht acrescenta que o produtor sempre seguiu as recomendações da Embrapa e, ano a ano, faz ajustes finos para aprimorar o sistema de produção. “Este é o trunfo do Paulo: utilizar as informações da pesquisa e dos técnicos para conseguir elevadas produtividades. Ele não faz ‘receita de bolo’, está sempre ajustando o sistema”.
Na safra deste ano, seguindo a lógica de ajustes contínuos no sistema, o produtor realizou diferentes ações de adubação nitrogenada em cada metade da área com pivô, buscando verificar as melhores respostas em produtividade. Aberto à inovação, Bonato diz que está sempre testando novos produtos e tecnologias. 

 

Na condução da lavoura, além de manter um rigoroso controle fitossanitário com várias aplicações de defensivos, ele realiza adubação foliar, utiliza inoculantes, faz aplicações de sílica para maior proteção das plântulas (que ficam com paredes celulares mais enrijecidas), além de buscar melhorias na adubação com cálcio e boro, dois nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas.

 

Vários detalhes são observados pelo produtor pra garantir o sucesso da lavoura. “É importante ter uma boa distribuição de sementes, uniformidade de plantio, boa emissão de cachos e dividir as aplicações (de adubo). O solo (na área do pivô) está quimicamente equilibrado, com índice de fósforo muito bom. Tenho feito análise de solo com grid de 1 hectare e, a cada dois anos, faço redimensionamento dos pivôs. São ajustes finos”, comenta.

 

Bonato acredita que o resultado obtido neste ano se deve a diversos fatores. “Ter um manejo adequado e fazer uso das tecnologias disponíveis é importante demais para o produtor. Tudo isso agrega à produtividade. Estou feliz com a produtividade que obtive, mas sempre quero melhorá-la”, afirma, destacando ainda a qualidade dos grãos colhidos, já que em cerca de 70% da colheita o peso do hectolitro (PH)* foi de 84 kg/hl, o que reflete em grãos mais pesados.

 

Todo o esforço e investimento do produtor na lavoura implicam, consequentemente, maior custo de produção. “Ele é um pouco mais alto que o dos meus colegas. Mas sou apaixonado pela cultura e isso vem de gerações, do meu avô, do meu pai, que também plantavam trigo. Fico extremamente feliz quando vejo uma lavoura bem conduzida”, justifica.

 

O produtor faz questão de enfatizar a contribuição das parcerias com os pesquisadores e com os técnicos da cooperativa para o sucesso obtido nesta safra: “O respaldo da Embrapa é extremamente importante, existe uma abertura dos pesquisadores para que possamos conversar. E a Coopa-DF, com o departamento técnico, está sempre apoiando e orientando, como, por exemplo, alertando sobre o aparecimento de doenças aos produtores”.

 

Influência do clima e do mercado

 

Segundo Claudio Malinski, o clima também pode ter contribuído para a elevada produtividade obtida por Bonato, já que o inverno deste ano foi um pouco mais frio que o de 2019, com temperaturas mais baixas em julho e com alguns dias mais frios em agosto. Júlio Albrecht concorda: “As temperaturas noturnas e diurnas foram favoráveis ao desenvolvimento das plantas. Vimos muitos produtores alcançarem produtividades em torno de 130 sc/ha”, afirma.

 

Outro fator que estimulou boa parte dos triticultores do Brasil Central a buscarem melhor desempenho foi o aumento do preço do trigo importado em função da desvalorização do real frente ao dólar – a tonelada tem sido negociada acima de R$ 1.200, enquanto em 2019 o valor ficou em torno de R$ 850.  

 

“Os produtores passaram a investir mais na cultura, utilizando tecnologias para melhorar a produtividade, como a intensificação do uso de insumos, entre os quais a adubação de base e o nitrogênio em cobertura, melhor controle fitossanitário e melhor ajuste da lâmina d’água na irrigação, conforme as orientações técnicas”, apontam Albrecht e Jorge Chagas, pesquisador da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS).

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

Novas instalações da Coopersa foram inauguradas nessa segunda-feira (10)

December 12, 2018

1/1
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

A Cooperativa Agroindustrial Amambai – COOPERSA, fundada em 29 de junho de 1993, inscrita no CNPJ sob n. 70.363.650/0001-87, com inscrição estadual n. 28.289.944-8, esta localizada no município de Amambai na Estrada Municipal Amambai/Sertãozinho Km 01.

Contato

(67) 3481-2287

Av. Pedro Manvailler, 4632 - Vila Cristina, Amambai - MS

© 2018. Coopersa. Criado orgulhosamente por Eficienthis